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Política

Doria inicia ofensiva por mudança nas regras de prévias do PSDB para 2022

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Após o revés sofrido na comissão de prévias tucanas, que definiu peso diferente para o voto de filiados e eleitos, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ainda tenta obter regras mais favoráveis para a disputa, enquanto amplia a articulação dentro do partido e faz gestos ao eleitorado.

Em reunião marcada para esta terça-feira (8), a executiva nacional do PSDB irá determinar as regras das prévias, tomando como base o relatório da comissão. Os aliados de Doria no colegiado ainda defendem o voto universal, ou seja, cada filiado vota com o mesmo peso -mas são minoria.

A tendência é de manutenção do formato deliberado pela comissão, que tem sido avaliado como justo em boa parte do partido.

O modelo neutraliza as vantagens de Doria, já que São Paulo é o estado com a maior fatia de filiados do PSDB -22% de 1,36 milhão-, sem, contudo, impedir que o paulista possa vencer a disputa. Até porque São Paulo também tem a maior porcentagem de prefeitos e deputados, que votam com maior peso.

Principal rival de Doria no PSDB, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, defendia uma proposta com peso entre os estados que tampouco prosperou. No entanto, como o modelo atual também reduz a preponderância de São Paulo, foi considerado positivo pelo gaúcho –que, assim como o paulista, tem condições de vencer e é, inclusive, favorito entre tucanos de fora de São Paulo.

Também devem disputar as prévias Arthur Virgílio, ex-prefeito de Manaus, e o senador Tasso Jereissati (CE) –embora a tendência seja de união entre Tasso e Leite.

Por causa da pandemia, os tucanos devem votar por meio de um aplicativo, e estarão aptos todos os filiados até 31 de maio. Já está acordado que a executiva manterá a data prevista pela comissão, de 21 de novembro para o primeiro turno e 28 de novembro para eventual segundo turno.

Mesmo sem a perspectiva de sucesso na tentativa de mudar as regras, Doria tem buscado, com foco na disputa tucana, projeção dentro e fora do partido. Ele ampliou o contato com tucanos, em reuniões e jantares, na tentativa de reverter os danos de imagem entre seus pares.

Na última quarta (2), Doria anunciou um calendário de vacinação para todos os adultos de São Paulo, com primeira dose até 31 de outubro. A medida gerou ganhos de popularidade para o tucano, segundo seus auxiliares, que descrevem a vacina como “o Plano Real” de Doria. O governador também tem feito uma série de inaugurações pelo interior.

No mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu fazer um pronunciamento em que defendeu a vacinação. Aliados de Doria entenderam a fala como uma resposta ao calendário do governador divulgado horas antes.

No entorno de Doria, as reações do presidente são lidas como sinal de que, para Bolsonaro, seu maior adversário nas urnas é o governador paulista, e não o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A última pesquisa Datafolha, no entanto, diz o contrário: o petista marca 41% das intenções de voto, contra 23% de Bolsonaro e 3% de Doria.

O vice-governador, Rodrigo Garcia (PSDB), ampliou os acenos eleitorais, assim como o chefe. Garcia anunciou ao PSDB paulista, no dia 31 de maio, que quer disputar o Palácio dos Bandeirantes e intensificou as viagens pelo estado.

O gesto pressiona Geraldo Alckmin (PSDB), que também pretende concorrer ao governo e pode topar prévias estaduais no PSDB ou sair do partido –DEM e PSD são destinos prováveis.

Aliados de Doria acreditam que Alckmin permanecerá no PSDB e topará disputar outro cargo, o de senador. Já caciques de outros partidos apostam na migração do ex-governador.

No DEM, o movimento é alimentado pelo presidente da sigla, ACM Neto, mas a ala paulista do partido, liderada pelo presidente da Câmara dos Vereadores, Milton Leite, resiste.
O presidente do PSDB de São Paulo, Marco Vinholi, afirma que, a partir da reunião nacional, na terça, a questão das prévias estaduais (regras e data) será discutida.

Os movimentos de Doria são seguidos de perto por Leite. O governador gaúcho fez um giro por Brasília, no fim de maio, em que anunciou a tucanos que disputaria as prévias e se aproximou de aliados de Doria. Leite também anunciou, na sexta (4), que a vacinação de todos os adultos no estado se dará até 30 de setembro.

No último dia 31, a comissão de prévias do PSDB, coordenada pelo ex-senador José Aníbal (SP), concluiu a proposta que será tema de deliberação. A ideia é fazer a votação em quatro grupos, cada um com peso unitário de 25%.

Os grupos são: um de filiados; um de prefeitos e vice-prefeitos; outro de vereadores, deputados estaduais e distritais; e o quarto grupo reúne governadores, vice-governadores, senadores, deputados federais, ex-presidentes e presidente do PSDB.

Por exemplo: no grupo um, o candidato A tem 60% dos votos e o B, 20%. Na conta final, o A soma 15% e o B, 5%.

Para tucanos consultados pela Folha, a proposta dá a chance de que qualquer candidato articule votos e obtenha a vitória. Ou seja, não haveria um favorito claro. A aposta é a de que Doria não vai poupar recurso, tempo e esforço para se viabilizar.

“É a melhor combinação para que todo partido se mobilize, se entusiasme e seja acionado pelos candidatos”, diz Aníbal, que vê como objetivo final o lançamento de um nome competitivo.

Aliados de Doria lamentam a perda de vantagem de São Paulo, enquanto o entorno de Leite ainda aponta que o paulista sai na frente por concentrar também políticos com mandato no estado, que tem 202 dos 520 prefeitos do partido, por exemplo.

A expectativa é baixa em relação à participação de filiados, considerando prévias anteriores. Em 2016, Doria teve 43% dos cerca de 6.100 votos no primeiro turno e venceu o segundo turno com quase a totalidade dos 3.200 votos. A capital paulista tinha cerca de 27 mil filiados à época. Em 2018, ele teve 80% dos votos de cerca de 15 mil filiados -o total do estado na época era de aproximadamente 310 mil.

Na terça, a executiva irá escolher entre a proposta atual; o voto universal; uma proposta de meio-termo defendida por aliados de Doria caso o voto universal não seja alcançado, de que o peso dos filiados aumente para ao menos 50%; e ainda uma sugestão do deputado federal Paulo Abi-Ackel (MG), de que os dirigentes estaduais componham o grupo dois, e não o um.

No último teste de força na executiva, em 2019, para deliberar sobre o processo de expulsão de Aécio Neves (PSDB-MG), a ala de Doria perdeu por 30 a 4.

Desta vez, o paulista conquistou novos aliados, como o vice-presidente Domingos Sávio (PSDB-MG) e alas da militância, mas segue sem a maioria, de acordo com membros do colegiado.

“Uma parcela expressiva defende o voto universal, pensando em oxigenar a militância”, diz Sávio, para quem “o modelo [das prévias] não vai alterar as chances de A, B ou C”.

Ele considera que o processo tem sido positivo e espera consenso na reunião de terça. “A prévia não pode ser uma guerra fratricida, que deixa feridas. O PSDB é um ambiente democrático, isso tem preço e polêmicas, mas vamos sair fortalecidos.”

Aliados de Doria mantêm a esperança de alcançar a maioria na executiva. O tesoureiro da sigla, César Gontijo, diz que a ideia do voto universal já convenceu muita gente.

“Deve haver uma proposta intermediária entre voto universal e o que foi apresentado pela comissão, como aumentar o grupo dos filiados para 50%. Percebi uma vontade muito grande de todos de chegarem a um acordo comum, para que não haja nenhum tipo de divergência lá na frente”, diz.

Gontijo afirma que Doria é o tucano com mais chances de ser presidente da República devido à vacina e à projeção de São Paulo. “O favoritismo se dá com o mais viável, independentemente do modelo de prévias. João não tem plano B, o que ele precisa é que as pessoas o conheçam.”

Membro da comissão e aliado de Leite, o deputado federal Lucas Redecker (RS) diz que 25% para os filiados é suficiente, considerando que o PSDB é um partido de quadros, não de massas, e que boa parte dos tucanos não é mais tão ligada à sigla. “Quem está no partido de fato é mais valorizado”, afirma.

Redecker acredita que o modelo deve ser mantido, sem aumentar a participação dos filiados (como quer Doria) ou dos diretórios estaduais (algo que poderia beneficiar Leite). “Todos têm chances, depende do trabalho de cada um”, completa.

Também membro da comissão, o ex-deputado federal Marcus Pestana (MG) diz que a proposta de prévias teve ótimo acolhimento e foi vista como sensata e criativa. Ele aponta que o modelo foi pensado para as prévias tucanas de 2018 e, portanto, “não é casuístico, feito a favor ou contra alguém”.

“A maioria achou muito engenhosa a proposta e correta no sentido de aferir o sentimento real do partido, valorizando filiados e os detentores de mandatos que passaram pelo crivo das urnas”, diz.

Segundo tucanos consultados pela reportagem, o clima até agora no partido é tranquilo. Embora parte da bancada federal seja contra lançar um presidenciável para não dividir recursos do fundo eleitoral, as prévias estão consolidadas. Haverá, na programação, cinco debates com os inscritos nas cinco regiões do país.

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Política

Ciro vai aumentar direitos trabalhistas se for eleito

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Caso Ciro Gomes seja eleito presidente no ano que vem, as mudanças recentes na legislação trabalhista brasileira poderão ser revertidas. É o que promete o cacique nacional do PDT, Carlos Lupi em vídeos nas redes sociais.

O partido irá perseguir o modelo original da CLT criada por Getúlio Vargas, com a carteira de trabalho, o décimo terceiro salário, as férias remuneradas e a organização sindical pro trabalhador.

O governo temer ainda em 2017 alterou mais de cem itens da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) dentre as medidas mais predatórias estão: a implantação do trabalho intermitente a terceirização irrestrita, permitiu que o negociado prevaleça sobre o legislado – ou seja, o trabalhador negocia com seu patrão em vez de ter seus direitos assegurados, na prática isso acabou com o acesso à Justiça trabalhista.

Com a falsa promessa de ser uma “vacina” contra a diminuição da oferta de vagas, a proposta de reforma atendeu a interesses do mercado financeiro e dos empresários, segundo o analista político Marcos Verlaine, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

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Gustavo Mendanha prepara “grande encontro da oposição”

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Principal nome que promete antagonizar com o governador Ronaldo Caiado (DEM) nas eleições de 2022, o prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha (ex-MDB), vai à Quirinópolis no próximo final de semana em um “grande encontro da oposição”. O ex-emedebista tem articulado em viagens no interior do estado fortalecer uma possível pré-candidatura ao Governo de Goiás, apesar de ainda não cravá-la.

“Eu acho que é uma missão que todos temos de ter principalmente no momento de retomada na política e no mundo empresarial. Precisamos buscar apaziguar. Eu busco a paz sempre principalmente com pessoas que convergem com o mesmo pensamento”, ponderou ao jornal Diario de Goiás.

Gustavo Mendanha pontuou que conseguiu reunir um time de políticos para articular como será a oposição em Goiás e o próprio classificou como “grande encontro”. “E nesse sentido tanto o Gilmar, grande líder, quatro mandatos como prefeito de Quirinópolis… O Paulo [Cezar Martins] que é deputado, cinco mandatos, grande líder da região. Conseguimos de fato, fazer uma união para fazer um grande encontro das oposições que vai contar com vereadores que não são ligados a nenhum dos lados. Vai ser não só um encontro suprapartidário com várias frentes que não só contará com líderes de Quirinópolis mas de toda a região”, destacou.

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Ciro Gomes reforça debate sobre país e não sobre nomes

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O ex-ministro do Desenvolvimento Regional Ciro Gomes, também pré-candidato à presidência da República em 2022 pelo PDT, afirmou em entrevista à CNN nesta quinta-feira (18) que vê uma “antecipação de campanha impressionantemente calorosa” em relação a nomes que pretendem disputar o Palácio do Planalto no próximo ano.

No entanto, para ele, mas ainda faltaria debate sobre “os problemas mais graves da história do Brasil”.

“Há uma uma antecipação de campanha apenas sob ponto de vista de pesquisas [eleitorais] e nomes. O que deveríamos estar fazendo era debater os problemas brasileiros, os mais graves da historia do país”, disse.

Ciro Gomes, que apareceu em 4º lugar na pesquisa eleitoral Genial/Quest, divulgada em 10 de novembro, com 6% das intenções de voto, avalia que cerca de cinco nomes devem sair definitivamente como pré-candidatos até o fim de julho de 2022, quando é dado o prazo final para as definições dos nomes.

Na avaliação do ex-governador, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está se “desmoralizando pela crise econômica, moral e de saúde publica” conforme as pesquisas mostram que cerca de “75% a 80% do povo brasileiro busca alternativas”.

Neste cenário, questionado sobre a recente filiação do ex-ministro da Justiça Sergio Moro ao Podemos e uma possível pré-candidatura da parte dele, Ciro Gomes avaliou que o ex-juiz da Lava Jato não deve “resistir” ao período de pré-campanha pela falta de experiência no mundo político.

“Qual é a proposta que ele tem? Qual compreensão do drama social brasileiro, do desemprego, da informalidade, da queda da renda, inflação?”, disse Ciro.

“Não é possível que vamos aceitar que um cidadão como Moro venha para o processo político explorando a justa angústia que o povo brasileiro tem contra a corrupção”.

Ciro também criticou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda não se lançou oficialmente como pré-candidato mas é o nome do PT que desponta nas intenções de voto.

“Eu considero que a tragédia Bolsonaro foi produto da tragédia econômica e moral da generalização da corrupção que o Lula impôs ao Brasil”, disse o ex-ministro.

Apesar disso, Ciro afirmou que possíveis alianças regionais entre o PDT e o PT ainda estão passíveis de acontecer, já que “jamais aconteceu de uma aliança nacional se replicar de forma homogênea”, mas ponderou que “é preciso colocar uma linha clara de cortes” entre os projetos.

Questionado sobre como faria, caso eleito, para governar e aprovar pautas no Congresso em meio às possíveis divisões de bancadas, Ciro afirmou que tem intenção de propor um “novo pacto federativo” e “reformas nos primeiros 6 meses de governo”.

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