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Política

Alto comando do exército deu aval a decisão sobre Pazuello

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A decisão do comandante-geral do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, de livrar de punição o general da ativa Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, por participar de manifestação favorável ao presidente Jair Bolsonaro recebeu o respaldo de integrantes da alta cúpula da Força Terrestre. Para eles, Paulo Sérgio tentou estancar o que poderia ser uma crise maior e resultar na segunda troca de comando em dois meses. O gesto de subserviência do Exército ao desejo do presidente, porém, despertou preocupações de que o comando possa ceder novamente em outros tipos de pressões de Bolsonaro.

A opção por isentar Pazuello foi individual e exclusiva de Paulo Sérgio. O comandante, porém, consultou o Alto Comando antes, num sinal de busca de consenso e respaldo. Embora não fosse unanimidade entre os generais de quatro estrelas, a decisão não foi nem será contestada pela cúpula verde-oliva. Segundo um oficial, “o silêncio é fruto da disciplina” que eles desejam preservar e ajudar a recuperar a instituição de um grande dano de imagem. Os generais estão desconfortáveis com o desfecho permissivo, mas ponderam que o comandante ficou sem saída e “qualquer solução seria ruim”.

O Exército comunicou oficialmente o arquivamento do caso, mas pouco explicou acerca do entendimento do comandante-geral. E nem cogita fazê-lo, segundo oficiais consultados pela reportagem. Generais que despacham no Forte Caxias, no entanto, explicaram, sob anonimato, algumas das razões para o desfecho do caso.

Em 23 de maio, Pazuello participou de um passeio de moto com militantes bolsonaristas no Rio, subiu em um carro de som, acenou e fez um breve discurso, ao lado do presidente e de congressistas. Ele alegou que o ato não era político-partidário ou eleitoral. O comandante acatou a justificativa.

Uma das justificativas é que aplicar uma punição a Pazuello soaria como reprimenda ao presidente, o comandante supremo das Forças Armadas. Pazuello não tinha registro de transgressões anteriores e estava ao lado de Bolsonaro, o que poderia ser interpretado, numa versão bastante controversa mesmo entre militares, como autorização para se manifestar.

Segundo auxiliares diretos, Paulo Sérgio teria servido como uma espécie de anteparo à iminente escalada de crise. Se punisse Pazuello, a contragosto do presidente, correria o risco de ser desautorizado e ter de entregar o cargo, abrindo espaço para Bolsonaro nomear alguém ainda mais obediente, no estilo Pazuello, em seu lugar.

Na prática, o comandante atendeu Bolsonaro, que não queria ver seu novo secretário de Estudos Estratégicos advertido ou repreendido. A decisão surpreendeu oficiais no Quartel-General, pois havia uma inclinação a punir, aplicando o Estatuto dos Militares e o Regimento Disciplinar do Exército. “Há vitórias e vitórias”, disse um general da ativa.

Apesar da sensação de derrota e do clima de constrangimento geral, oficiais que despacham no Forte Caxias descartam a possibilidade de renúncias no Alto Comando. A próxima reunião, prevista para ocorrer entre 21 e 25 de junho, discutirá promoções já programadas no generalato, o que vai acarretar em alterações na composição da cúpula verde-oliva.

General intendente de três estrelas, topo da carreira, Pazuello já era considerado um “caso perdido”, por quem não valeria a pena o risco de ampliar a crise com o Palácio do Planalto. Agora, há no QG a expectativa que ele se dedique de vez à política e afaste-se do Exército, onde estava sem função específica desde março, quando foi demitido do ministério. Nas palavras de um oficial de alta patente, Pazuello não reunia mais “condições mínimas” de voltar a posições de comando perante a tropa.

Ex-secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência, o general de Exército da reserva Maynard de Santa Rosa considerou a decisão adequada. Para ele, o “incidente” foi provocado por Bolsonaro. “Não é justo transferir para o Exército a responsabilidade de julgar um incidente de natureza política insignificante para a Instituição. O Pazuello é um militar em final de carreira, que foi empregado em cargo político e não representa a Força. O incidente foi provocado pelo presidente da República, provavelmente, por ser do seu interesse”, disse Santa Rosa.

“Houve um ataque frontal à disciplina e à hierarquia, princípios fundamentais à profissão militar. Mais um movimento coerente com a conduta do presidente da República e com seu projeto pessoal de poder. A cada dia ele avança mais um passo na erosão das instituições”, afirmou o envergonhado general de Exército da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo. “A união de todos os militares com seus comandantes continua sendo a grande arma para não deixar a política partidária, a politicagem e o populismo entrarem nos quartéis.”

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Política

‘Eu vou ganhar a presidência da República, espera só para você ver’ afirma Ciro Gomes

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Presidenciável pelo PDT, ex-ministro Ciro Gomes, avaliou como ‘momentânea’ a queda nas intenções de voto e a perda da 3ª colocação nas pesquisas eleitorais desde a entrada de Sergio Moro (Podemos) na disputa. Em Portugal para participar de compromissos de pré-campanha, o pedetista avaliou o momento da corrida eleitoral ao site Sputinik Brasil.

Para ele, com a aproximação das eleições em outubro de 2022, seu eleitorado voltará a crescer ao perceberem que o ex-juiz é muito pior que o atual presidente.

“Pesquisa é retrato do momento, e a vida não é retrato, a vida é filme. O nível de atenção ao assunto eleições é nenhum no tempo presente. Portanto, elas tendem a revelar muito mais notoriedade do que adesão consolidada a essa ou àquela candidatura. E a notoriedade, no caso brasileiro, é uma variável da exposição da mídia, especialmente televisiva”, destacou Ciro sobre as pesquisas.

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Política

Ciro vai aumentar direitos trabalhistas se for eleito

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Caso Ciro Gomes seja eleito presidente no ano que vem, as mudanças recentes na legislação trabalhista brasileira poderão ser revertidas. É o que promete o cacique nacional do PDT, Carlos Lupi em vídeos nas redes sociais.

O partido irá perseguir o modelo original da CLT criada por Getúlio Vargas, com a carteira de trabalho, o décimo terceiro salário, as férias remuneradas e a organização sindical pro trabalhador.

O governo temer ainda em 2017 alterou mais de cem itens da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) dentre as medidas mais predatórias estão: a implantação do trabalho intermitente a terceirização irrestrita, permitiu que o negociado prevaleça sobre o legislado – ou seja, o trabalhador negocia com seu patrão em vez de ter seus direitos assegurados, na prática isso acabou com o acesso à Justiça trabalhista.

Com a falsa promessa de ser uma “vacina” contra a diminuição da oferta de vagas, a proposta de reforma atendeu a interesses do mercado financeiro e dos empresários, segundo o analista político Marcos Verlaine, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

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Política

Gustavo Mendanha prepara “grande encontro da oposição”

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Principal nome que promete antagonizar com o governador Ronaldo Caiado (DEM) nas eleições de 2022, o prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha (ex-MDB), vai à Quirinópolis no próximo final de semana em um “grande encontro da oposição”. O ex-emedebista tem articulado em viagens no interior do estado fortalecer uma possível pré-candidatura ao Governo de Goiás, apesar de ainda não cravá-la.

“Eu acho que é uma missão que todos temos de ter principalmente no momento de retomada na política e no mundo empresarial. Precisamos buscar apaziguar. Eu busco a paz sempre principalmente com pessoas que convergem com o mesmo pensamento”, ponderou ao jornal Diario de Goiás.

Gustavo Mendanha pontuou que conseguiu reunir um time de políticos para articular como será a oposição em Goiás e o próprio classificou como “grande encontro”. “E nesse sentido tanto o Gilmar, grande líder, quatro mandatos como prefeito de Quirinópolis… O Paulo [Cezar Martins] que é deputado, cinco mandatos, grande líder da região. Conseguimos de fato, fazer uma união para fazer um grande encontro das oposições que vai contar com vereadores que não são ligados a nenhum dos lados. Vai ser não só um encontro suprapartidário com várias frentes que não só contará com líderes de Quirinópolis mas de toda a região”, destacou.

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